Como é feito: leite de coco

Você sabe como é feito o leite de coco? Fui conhecer a produção da Sococo no município de Moju (PA) e fiquei  impressionado. Primeiro, porque é a maior plantação de coco do mundo com 954 mil coqueiros distribuídos por 5 mil hectares, olha a foto acima! Segundo, porque o processo é quase artesanal – apesar da produção gigantesca – e envolve muitas pessoas e burrinhos, dos quais sempre me lembro agora quando vejo as garrafas do leite nas gôndolas. Vem comigo.

 

A colheita é toda manual, feita por um colhedor que seleciona e corta o coco utilizando uma vara para alcançar o cacho. A seleção é individual, apenas os cocos prontos para a extração são apanhados. A locação é cinematográfica: você vê coqueiros enfileirados numa perspectiva sem fim. O intervalo entre as colheitas é de 45 dias.

 

O tropeiro, responsável por recolher os cocos e colocar no garajau, uma gaiola que fica acoplada aos burrinhos, trabalha em conjunto com ele. Colheita feita, os cocos são depositados nas ‘big bags‘, que acomodam até 500 cocos e ficam nas margens das plantações.

 

Apesar da aparência seca da casca, olha a espessura da polpa do coco. O coqueiro plantado é do típo híbrido (gigante com anão), ideal para a produção do leite de coco. Já o coqueiro anão é o cultivado para a extração da água de coco.

 

As ‘big bags‘ são recolhidas por pequenos guindastes e os cocos são despejados em caminhões, sendo levados para a unidade de processamento em Ananindeua (PA).

 

Agora é a vez do caminhão enfrentar o tobogã. Os cocos são despejados em um funil gigante e recolhidos por uma esteira que os encaminhará para o processamento.

 

Na primeira etapa eles são descascados manualmente ficando apenas com a palha seca que envolve a polpa (aquela que a gente chama de ‘quenga’).

 

Os cocos, ainda inteiros, são distribuídos em carrinhos e são levados aos fornos, onde são aquecidos antes de serem transportados para o setor de corte.

 

Depois de cortados, os cocos seguem por esteiras onde a polpa é separada da quenga.

 

Polpa separada, é o momento de retirar aquela película marrom que envolve a ‘pepita’. Como isso é feito? Cada coco é lixado manualmente, trabalho de artesão!

 

Na última etapa manual, a polpa é lavada e segue por dutos até a máquina onde serão trituradas e transformadas em flocos.

 

O coco ralado segue para as secadoras, de onde deve sair com umidade abaixo de 2%.

 

Os flocos de coco são então ensacados e enviados para a outra unidade de processamento, agora em Maceió (AL). Por que tão longe? Porque a fábrica foi fundada em Maceió em 1966. A fazenda de Mojú (PA) foi criada em 1979, depois que pesquisas apontaram a região como a mais propícia para o cultivo de coco no país.

 

Chegando em Maceió, os sacos ficam armazenados em gigantescos depósitos.

 

O coco é então desensacado e passa por um segundo processamento.

 

Ele é reidratado e prensado para extração do ‘suco’, que irá compor o leite de coco.

 

O leite de coco é então envasado e segue por esteiras até o setor de empacotamento.

 

Já o coco ralado segue por outro caminho: é porcionado e ensacado nas embalagens num processo automatizado.

 

Depois de encaixotados, tanto o coco ralado como o leite de coco são armazenados em outro depósito antes de seguirem para a distribuição. Simples?

 

Agora que você conheceu todo o processo, corra até o mercado e compre os ingredientes para fazer o Bolo Podre, que não precisa ir ao forno (e lembre-se dos burrinhos!).

Ou veja outras receitas aqui, no site da empresa. Tem até receita de Ovo de Páscoa!

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43 comentários feitos no blog

  1. Dorival Peçanha comentou em 29/03/12 at 18:57 Responder

    Fascinante. Se puder, faça uma visita às fazendas de criação de camarão na região de Valença-BA ou outras pelo Nordeste. Garanto que também irá se surpreender!

    • Marcelo Katsuki comentou em 29/03/12 at 19:38 Responder

      Oi Dorival, obrigado. Eu estive numa criação de camarão mas no Ceará. Surpreendente mesmo! Abs!

  2. pernelle comentou em 30/03/12 at 0:20 Responder

    Caro Marcelo.
    Bom dia!
    Parabéns pela excelente matéria!
    Cumprimentos fraternos.
    Pernelle

    • Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 12:05 Responder

      Obrigado, Pernelle. Bom dia!

  3. teresa bueno comentou em 30/03/12 at 1:18 Responder

    Todo mundo tem salário; só o burrinho que trabalha de graça e, pior, fica com o trabalho mais pesado! Será que não existe uma outra forma para que as “gaiolas” sejam puxadas e, com isso, garantir a aposentadoria dos burrinhos? Nos dias atuais, ver aquela cena me deixou indignada!

    • Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 11:55 Responder

      Eu achei que o trabalho pesado fica mais para o cara que se abaixa e pega os cocos. Pq o burrinho fica lá parado comendo a vegetação. Além disso, eles têm um veterinário permanente na fazenda e se aposentam sim, depois de alguns anos de trabalho.

  4. BETO GOMEZ comentou em 30/03/12 at 3:37 Responder

    Que máximo! Maravilhoso! Coisas do BRASIL!!!!

  5. vani campos comentou em 30/03/12 at 5:51 Responder

    gostaria mesmo é de saber quanto ganham os operários que fazem esse trabalho duríssimo…

    • Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 11:49 Responder

      Não acho duríssimo, acho mais repetitivo. Duro mesmo é lidar com gente, né não?

  6. Silvia comentou em 30/03/12 at 10:03 Responder

    É normal ficar com dó do burrinho?

    • Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 12:04 Responder

      Acho normal, mas não se preocupe; eles me pareceram muito bem tratados.

  7. Claudia comentou em 30/03/12 at 11:43 Responder

    Materia muito legal!!
    A melhor parte foi lembrar do bolo podre!

  8. Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 11:48 Responder

    Kkkkkk, very Kid!

  9. Raquel comentou em 30/03/12 at 18:54 Responder

    Aqui em casa eu faço leite de côco assim:
    corto a polpa em pequenos pedaços, coloco no liquidificador, coloco água quente, a bato bem, depois é só coar. Fica muito bom.

    • Marcelo Katsuki comentou em 30/03/12 at 19:42 Responder

      Raquel, eu tb aprendi assim. Mas lá me ensinaram que o ideal é fazer com a água em temperatura ambiente. E daí bater duas vezes. Tem um lance da gordura que sai com a água quente, pelo que falaram.

  10. JOSÉ ANTÔNIO comentou em 31/03/12 at 18:43 Responder

    Muito bacana mostrar o processo praticamentedesde o plantio dos coqueiros até a distribuição do produto já pronto. Tem gente que ainda cha que os produtos “aparecem” nas prateleiras do supermercado. Bacana também a receita, mas onde encontrar a farinha de tapioca, ainda mais aqui em Minas (Betim)? Talvez no mercado Central, em BH… vale apena dar uma procurada.

    • Marcelo Katsuki comentou em 01/04/12 at 12:09 Responder

      José, obrigado pelo comentário. Sobre a tapioca, me falaram que no mercado central de BH tem, só não sei em qual quiosque, rs. Abs!

  11. Isabel Eliana Antunes Fiuza comentou em 01/04/12 at 13:57 Responder

    quero te dar os parabens por essa matéria, leio sua coluna todos os dias e acho fantastico vc da a oportunidade as pessoas conhecerem lugares e ver pratos maravilhosos. parabens

    • Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 16:36 Responder

      Obrigado, Isabel. Abs!

  12. Isabel Eliana Antunes Fiuza comentou em 01/04/12 at 14:02 Responder

    gostaria de aporveitar o ensejo, e lhe pedir se possivel o endereço daquele barzinho onde os aperitivos e batidas sao feitos com TAUBAINA, pois moro em Tatui – interior de Sao Paulo, onde temos uma fabrica de Taubaina – chama-se – TAUBAINAS VIEIRA , muito antiga na cidade, fico no aguardo. bjsss e muitooooo sucesso.

    • Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 16:36 Responder

      Vixe, não sei… tem um bar de drinques de refrigerante?

  13. Ana comentou em 02/04/12 at 11:13 Responder

    Marcelo, lendo este post lembrei de uma receita de talharim que vi em um vidro de leite de coco sococo. Acho que se encaixaria bem na categoria receitas da latinha, nesse caso do vidrinho… Era bem incomum

    • Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 16:38 Responder

      Puxa Ana, será que vc acharia essa receita? Seria interessante. Opa, vou ver no site tb, rs. Abs!

  14. Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 16:39 Responder

    Obrigado Philippe. Abs!

  15. Cecilia comentou em 02/04/12 at 17:28 Responder

    Excelente matéria! Realmente, vou olhar os vidrinhos na prateleira com outros olhos. Eu imaginava que fosse um processo totalmente automatizado. Obrigada pela informação.

    • Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 18:27 Responder

      Eu tb! Por isso fiquei surpreso com tanta gente envolvida na produção do ‘vidrinho’!

  16. Tamy comentou em 02/04/12 at 17:45 Responder

    Muito bacana! Não sabia como se fazia o leite de coco mesmo… sabe o que eu tb não sei? Como faz suco de milho! hehehehe fica a sugestão!

    • Marcelo Katsuki comentou em 02/04/12 at 18:27 Responder

      Eu acho que esse é bem mais fácil, rs!

  17. Marcelo Katsuki comentou em 03/04/12 at 16:00 Responder

    Gente, uma menção ao jornal concorrente, kkkkk! Gostei, Ana, acho que vou experimentar! Obrigado!

  18. wania martins comentou em 05/04/12 at 21:16 Responder

    parabéns pela reportagem!!! adorei !!! como química meus olhos brilharam ao ver uma fábrica tão organizada, com funcionários devidamente paramentados ;) coisa de químico mesmo rsrsrs
    beijos e boa Páscoa ;)

  19. Jean Chagas comentou em 14/04/12 at 18:03 Responder

    ola marcelo! a matéria ficou ótima, a fazenda sococo lhe manda um grande abraço

    • Marcelo Katsuki comentou em 15/04/12 at 16:27 Responder

      Muito obrigado pela hospitalidade de todos! lembranças para todos da fazenda!

  20. Marcelo Katsuki comentou em 07/05/12 at 16:46 Responder

    Obrigado, Maria. Tb fiquei supreso. Abs!

  21. sivaldo comentou em 19/05/12 at 16:37 Responder

    olã bom dia gostaria de saber a casca do coco vcs tem alguma utilidade se não nois tem um trabalho artesanal com pesoas de rua fazemos um social.aqui na bahia
    (71)81711290

  22. Davi comentou em 17/06/12 at 23:08 Responder

    Olá Marcelo, grande matéria, ótimo tema!
    Sou um grande apreciador de coco e me chamou atenção a parte do processo onde o coco é lixado manualmente para retirar a película marrom da “carne”. Marcelo você chegou a ver qual lixa é usada nesse processo? E como é esse processo, você saberia dizer? Eu tira essa película na faca mas com uma lixa parece ser muito mais prático!

    • Marcelo Katsuki comentou em 18/06/12 at 12:44 Responder

      Era uma lixa rotativa, que gerava um farelo dessa película. Acho melhor do que com a faca mesmo. Abs!

  23. soraya assis comentou em 31/07/12 at 18:50 Responder

    Marcelo
    otima sua reportagem….estou tentando produzir leite de coco tambem….este processo todo foi um aprendizado…bom tem os ingredientes que são adicionados que faz parte do segredo do produto…será que vc poderia ter seu contato estou precisando de um help…. obrigada…abs.

  24. Leticia Korndorfer comentou em 22/09/12 at 20:03 Responder

    Marcelo, eu gostei muito da reportagem, tinha mesmo curiosidade em saber como era produzido o leite de coco. Busquei na internet e encontrei a tua matéria. Obrigada. Mas confesso que ao ler a tua reportagem me fiz a mesma pergunta… é tudo natural? que tipo de produtos são adicionados para conservar o coco?

    • Marcelo Katsuki comentou em 24/09/12 at 13:38 Responder

      Letícia, isso eu não te saberia responder com precisão. Pq nas etapas que vi não havia aplicação de conservantes. Abs!

  25. Rose Karreiro comentou em 10/11/12 at 11:09 Responder

    Adorei a reportagem, vc conseguiu explicar exatamente como é o processo da produção e as fotos ficaram perfeitas…Parabéns a Sococo por gerar tantos empregos neste nosso Brasil…Abraços.

  26. AUrea comentou em 04/01/13 at 13:33 Responder

    Amei!

  27. andré comentou em 08/01/13 at 19:02 Responder

    Base da culinária baiana.

    Obrigado pela minuciosa e ótima explicação, além das boas fotos tiradas.

    • Marcelo Katsuki comentou em 09/01/13 at 11:49 Responder

      Obrigado, André. Abs!

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