Marcelo Katsuki

Comes e Bebes

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Formado em arquitetura pela FAU-USP, Marcelo Katsuki é cozinheiro formado pela Escola de Gastronomia João Dória Jr e sommelier pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers).

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Como é feito: leite de coco

Por Marcelo Katsuki

Você sabe como é feito o leite de coco? Fui conhecer a produção da Sococo no município de Moju (PA) e fiquei  impressionado. Primeiro, porque é a maior plantação de coco do mundo com 954 mil coqueiros distribuídos por 5 mil hectares, olha a foto acima! Segundo, porque o processo é quase artesanal – apesar da produção gigantesca – e envolve muitas pessoas e burrinhos, dos quais sempre me lembro agora quando vejo as garrafas do leite nas gôndolas. Vem comigo.

 

A colheita é toda manual, feita por um colhedor que seleciona e corta o coco utilizando uma vara para alcançar o cacho. A seleção é individual, apenas os cocos prontos para a extração são apanhados. A locação é cinematográfica: você vê coqueiros enfileirados numa perspectiva sem fim. O intervalo entre as colheitas é de 45 dias.

 

O tropeiro, responsável por recolher os cocos e colocar no garajau, uma gaiola que fica acoplada aos burrinhos, trabalha em conjunto com ele. Colheita feita, os cocos são depositados nas ‘big bags‘, que acomodam até 500 cocos e ficam nas margens das plantações.

 

Apesar da aparência seca da casca, olha a espessura da polpa do coco. O coqueiro plantado é do típo híbrido (gigante com anão), ideal para a produção do leite de coco. Já o coqueiro anão é o cultivado para a extração da água de coco.

 

As ‘big bags‘ são recolhidas por pequenos guindastes e os cocos são despejados em caminhões, sendo levados para a unidade de processamento em Ananindeua (PA).

 

Agora é a vez do caminhão enfrentar o tobogã. Os cocos são despejados em um funil gigante e recolhidos por uma esteira que os encaminhará para o processamento.

 

Na primeira etapa eles são descascados manualmente ficando apenas com a palha seca que envolve a polpa (aquela que a gente chama de ‘quenga’).

 

Os cocos, ainda inteiros, são distribuídos em carrinhos e são levados aos fornos, onde são aquecidos antes de serem transportados para o setor de corte.

 

Depois de cortados, os cocos seguem por esteiras onde a polpa é separada da quenga.

 

Polpa separada, é o momento de retirar aquela película marrom que envolve a ‘pepita’. Como isso é feito? Cada coco é lixado manualmente, trabalho de artesão!

 

Na última etapa manual, a polpa é lavada e segue por dutos até a máquina onde serão trituradas e transformadas em flocos.

 

O coco ralado segue para as secadoras, de onde deve sair com umidade abaixo de 2%.

 

Os flocos de coco são então ensacados e enviados para a outra unidade de processamento, agora em Maceió (AL). Por que tão longe? Porque a fábrica foi fundada em Maceió em 1966. A fazenda de Mojú (PA) foi criada em 1979, depois que pesquisas apontaram a região como a mais propícia para o cultivo de coco no país.

 

Chegando em Maceió, os sacos ficam armazenados em gigantescos depósitos.

 

O coco é então desensacado e passa por um segundo processamento.

 

Ele é reidratado e prensado para extração do ‘suco’, que irá compor o leite de coco.

 

O leite de coco é então envasado e segue por esteiras até o setor de empacotamento.

 

Já o coco ralado segue por outro caminho: é porcionado e ensacado nas embalagens num processo automatizado.

 

Depois de encaixotados, tanto o coco ralado como o leite de coco são armazenados em outro depósito antes de seguirem para a distribuição. Simples?

 

Agora que você conheceu todo o processo, corra até o mercado e compre os ingredientes para fazer o Bolo Podre, que não precisa ir ao forno (e lembre-se dos burrinhos!).

Ou veja outras receitas aqui, no site da empresa. Tem até receita de Ovo de Páscoa!

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