Marcelo Katsuki

Comes e Bebes

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Formado em arquitetura pela FAU-USP, Marcelo Katsuki é cozinheiro formado pela Escola de Gastronomia João Dória Jr e sommelier pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers).

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Uma peixada como nos velhos tempos

Por Marcelo Katsuki

Oi gente, desculpem pelo sumiço! É que passei 15 dias de férias entre o Pará e a Paraíba mas voltei cheio de histórias para contar –e vou começar com um lugar especial que conheci na Penha, em João Pessoa: a Peixada do Severo.

Quem me levou para conhecer esse lugar incrível foi a Ana Márcia Alves, do site Gourmetidos, e eu agradeço pela oportunidade de ter revivido momentos sublimes que me fizeram lembrar da João Pessoa que conheci há 20 anos atrás e pela qual me encantei.

 

Chegando na casa, toque a campainha com insistência que uma hora o Severo escuta, rs!

 

Daí você vai adentrar um quintal cheio de animais e muito verde. E ser recebido por uma brisa fresca, típica da Paraíba e favorecida pela altitude em que se encontra a casa.

 

O Severo chega sem a menor pressa para contar suas histórias e oferecer uma bebida. “Para tirar o estresso“, diz ele, entre uma risada e outra.

 

Pedimos caipirinhas de cachaça Serra Limpa, que tem alto teor alcoólico, mas como o gelo derrete rápido, ficam logo no ponto (isso se a gente não beber tudo antes).

 

Além do ambiente rústico –e tranquilo, ao menos no dia do nosso almoço– a trilha sonora do bar é impecável. Luiz Melodia, Elis, Cartola, Clara Nunes, só as melhores canções e no volume ideal para te fazer viajar no clima. Chorei algumas vezes –e devem ter achado que o olho vermelho era da cachaça, rs– mas quando você vive um momento desses, como não se emocionar?

 

A entrada com lagostins na manteiga com alho (R$ 45) chegou perfumando e aguçando o paladar.  E estavam fresquinhos e macios, porque lagostim congelado tem aquele gosto horrível de gás, gosto não.

 

O peixe já estava na brasa, onde Severo deixa para ser assado lentamente. Pressa pra quê?

 

Na pia, um jegue de barro dá cor ao ambiente.

 

Já no chão, um gato, um cachorro, peru, galinhas e até uma seriema desfilam sem te dar a menor bola. Quer dizer, a seriema aparece quando a comida chega. Danada.

 

O peixe assado (R$ 65), uma cioba com a pele torradinha e interior úmido, chega com arroz soltinho e um pirão perfeito, feito com farinha fininha e gosto de peixe.

 

A sobremesa é cortesia: torrões de rapadura, que caem super bem depois de algumas, muitas capirinhas. Botei umas no bolso e fui.

 

Dureza deixar esse cantinho especial, ainda que o destino fosse a bela praia do Cabo Branco.

 

Severo te leva até a porta, agradece e convida para voltar. Ele contou muitas histórias engraçadas mas deixo para vocês ouvirem lá e rirem com ele. A risada do Severo é ótima.

 

Peixada do Severomapinha aqui
R. Carpinteiro João José Seabra, 66, Penha, João Pessoa – Precisa fazer reserva

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