Marcelo Katsuki

Comes e Bebes

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Formado em arquitetura pela FAU-USP, Marcelo Katsuki é cozinheiro formado pela Escola de Gastronomia João Dória Jr e sommelier pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers).

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Ilha do Mosqueiro – Pará

Por Marcelo Katsuki

Descobri meu paraíso pessoal numa ilha fluvial a 70 km de Belém (PA): a Ilha do Mosqueiro. Quem me indicou o lugar foi a profa. Doralice Araujo, amiga paraense que mora em Curitiba e que em viagem recente ao local postou algumas fotos que me animaram.

 

Você pode chegar à ilha de carro (se alugar um), de táxi (pagando 150 reais) ou de busão amarelo-tucupi, por módicos 7 reais (saindo da rodoviária). O trajeto dura pouco mais de uma hora e você aproveita para se integrar um pouco mais ao ‘tacacá way of life’.

 

Apesar de lembrar um cenário de pós-luta do Kill Bill, o busão tem ar-condicionado, não lota e você ainda pode comprar o melhor biscoito de maisena com doce de cupuaçu do ambulante que entra no meio do caminho por R$ 1,50. Comprei só um, pensando em ajudar, e no fim me arrependi amargamente por não ter arrematado todo o lote. Biscoitinho divino-maravilhoso de bom!

 

Desci no Chapéu Virado e fui caminhando até o hotel pela Beira-Mar, completamente vazia, uma tranquilidade. Acho que arrastei a mochila por uns 2 km sob um sol de rachar a cuca mas nem liguei. Foi como caminhar por um cenário de um filme de suspense-tropical, numa ilha urbanizada mas deserta.

 

Cena 2: a praia é de água doce, não tem coisa melhor para quem tem alergia a sal como eu (a cena 1 é a que abre o post).

 

Cena 3: a vontade era de ficar descansando nessa sombra, mas queria chegar logo ao hotel e tirar a areia do tênis. A brisa é fresca mas o sol não perdoa.

 

Cheguei ao hotel do Farol, coloquei um chinelo e fui inocentemente à pé até a vila. Andei mais uns 5 km, quase não acreditei no percurso deserto e cheio de paisagens inesperadas, como essa casa na árvore.

 

Praias mais desertas que a ilha.

 

Aqui eu já tava quase tendo alucinações com o calor, daí achei uma barraquinha que vendia cerveja e tomei um litrão como se fosse água.

 

Cheguei na vila depois de andar em zig-zag por mais de uma hora. Olha a vista do fim dessa rua.

 

Fui direto para a Tapiocaria. As tapiocas do Mosqueiro são enroladas como um charuto e muito macias. São tão famosas que para fazer sucesso na capital, basta botar o nome “Mosqueiro” na sua barraquinha de tapioca. Sucesso garantido.

 

Comi uma tapioca recheada com ovo e queijo cuia (R$ 3,50) –e estava muito gostosa, ainda mais acompanhada pelo cafézinho que tinha acabado de ser passado. Olha o capricho do crochê no copinho de plástico.

 

Fiquei um tempinho me recuperando no quiosque da Rosilda, que recomendou seu mingau de banana. Um costume que não tenho: tomar mingau. Mas estamos falando de terruá Pará e pedi logo um misturado: mingau de banana e de tapioca.

 

Pense numa coisinha reconfortante (apesar do calor) para se comer vendo o por do sol. É o mingau morninho (R$ 2,50) servido com açúcar e canela.

 

Já recuperado dei um rápido passeio pela cidade. Fui ao Mercado Municipal (a 20 passos da Rosilda), entrei na igreja (a 30 passos da Rosilda) e sentei no banco da praça (atrás da Rosilda).

 

As cores do céu da ilha do Mosqueiro são espetaculares, nem precisam de Photoshop, rs.

 

Daí voltando para o hotel (agora de táxi) vi uma cena que me fez entender porque chamam Mosqueiro de Ilha do Amor. Porque existe amor em Mosqueiro, uai; só eu que não tô pegando nem encosto. Fuén!

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