Comendo sashimi na peixaria

Por Marcelo Katsuki

O enunciado pode não ser inédito –já que temos o Uo Katsu e a Pacífico Pescados servindo até sushis– mas a Peixaria Mitsugi tem todos os ingredientes para um emotivo capítulo na história da gastronomia da cidade. Ele é um autêntico “lugarzinho”: fica nos fundos de uma galeria obscura na principal rua do bairro oriental da cidade; foi deixado de herança pelo falecido proprietário para um fiel funcionário maranhense; viveu dias de glória e sentiu o declínio com a crise até ser resgatado por um antigo cliente, que recusou-se a assitir ao seu fechamento, comprando o local.

O responsável por essa retomada, o psicanalista Luis Fernando Santos, associou-se ao experiente Antonio Kleber da Silva, que trabalha na casa há mais de 25 anos e juntos reformularam o espaço. A antiga peixaria recebeu melhorias: na cozinha, equipamentos novos para o preparo do gohan (arroz japonês) e do missoshiru (a sopa de pasta de soja), itens fundamentais para um bom restaurante japonês. No salão, um balcão e algumas mesas para que os sashimis, antes preparados apenas para viagem, pudessem ser degustados ali mesmo. Ficou o antigo luminoso de neon, que por anos guiou quem entrasse na galeria em busca de peixes frescos. Detalhe: nessa galeria funcionou durante muito tempo a Adega do Sakê, do expert Alexandre Tatsuya Iida, precursor na divulgação da bebida no país e hoje estabelecido em Moema.

 

Olha que beleza de refeição! O sashimi traz os peixes frescos do dia a R$ 150 o quilo (porção mínima de 300 g). Atum, salmão, robalo, garoupa, carapau, linguado, entre outros pescados, todos com cortes precisos, acompanhados pela tigela de arroz (R$ 6) e de missoshiru (R$ 5).

 

Luis, o responsável pela restauração da peixaria, e Antônio, que trabalha na casa há mais de 25 anos e herdou o negócio do sr. Sozaburo Mitsugi.

 

A peixaria conta agora com uma carta de drinques, com opções clássicas como esse Old Fashioned. Mas há ainda Manhattan, Negroni, gim-tônica e caipirinhas, todos na faixa dos 20 – 25 reais.

 

Nem só de peixe cru vive a peixaria. É possível pedir petiscos quentes, como essas lulas ao alho e óleo, de textura macia, ou esses camarões salteados em manteiga de sálvia, ambos por R$ 35.

 

As vieiras são sazonais e custam R$ 10 a unidade. São enormes, suculentas e têm cocção perfeita.

 

O legal é que você pode escolher vários pescados e deixar nas mãos do Antônio, que irá montar um belo prato. O resultado é essa belezura acima.

 

Acesso à peixaria, no final da galeria. O restaurante funciona para almoço de terça a quinta, sem necessidade de reserva. Na sexta e no sábado, ele abre também para o jantar, mas nesses dois dias a reserva é obrigatória, nos dois horários. Tem noites em que rola até uma balada alternativa, com o público jovem que já adotou o lugar. Um sucesso!

Peixaria Mitsugimapinha aqui
R. Galvão Bueno, 364 – Liberdade – São Paulo – Telefone: (11) 3567-7670
Fotos: Marcelo Katsuki/Folhapress